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vinho tinto

vinho tinto

26
Jan12

13. apontamentos para memória futura

o infinito mora-te nas mãos

sem que a tua língua o saiba

 

tens muito calcário nos dedos

como as serras e montanhas

 

os teus lábios de orquídea

enchem-me o dormir de perfume

01
Ago11

agosto 2011

a memória que tenho tua
é boa demais
para escrever um poema
31-8
 
 
se te fechares num armário de pedra
aproveita
e leva contigo
o teu cheiro
que não o aguento mais
30-8

 

a próxima caravela,
tal como eu,
dispensa apresentações

28-8

 

o corpo de uma mulher é para
se saborear como
se saboreiam as cerejas

28-8

 


o infinito escorre-me devagar entre os dedos
em minha casa tenho um canto só meu

27-8

 


uma criança perdida numa grande cidade
é como um pequeno rato num
esgoto imenso

27-8

 


estou muito apertado
aqui sentado
neste lugar
de pedra
e pântanos

27-8

 


vou num comboio de  água
para as ruínas de uma cidade antiga
com colunas de carne
no lugar das pernas
e martelos de manteiga nas mãos

não há como fugir do inevitável infinito

27-8

 

se eu tivesse vivido
mais tempo,
tinha acabado
este poema

27-8

 

sou um pássaro, verdadeiro,
mas sem asas e sem bico
deitado num ninho de facas
e espinhos grossos
com neve no peito
e unhas na ponta das penas

26-8



escavar invernos na sombra
ter medo de rodas gigantes
esse é o destino dos poetas

25-8

 


tenho ervas daninhas no lugar dos dedos

24-8

 

se pintassem o teu sorriso em todas as árvores
deixaria de haver incêndios

24-8



tenho asas
na cara
a fazer lembrar
relógios dobrados,
silentes.

24-8


acredito
imensamente
na nudez
das palavras.
o silêncio,
também pode ser
um grande poema?

23-8



há sempre os vossos vestígios
nos meus dedos
quando escrevo um poema

23-8


há uma claridade perfeita no teu corpo
que ofusca o mundo todo

22-8

têm que ser coisas pequenas  que isto  custa

18-8

 


plutão já não é um planeta
é uma bicicleta enferrujada
ou um cão
que se corre à pedrada

18-8
 

o tempo abraça-o de improviso
e ele chora muito
numa mesa de café muito queimada

17-8
 

sentei-me de improviso num afiado muro de pedra
para escrever um poema,
mas a folha permaneceu virgem demasiado tempo
e eu levantei-me

17-8



 

que pausa me pousou no peito

17-8
 


estou dobrado como ervas à beira lago
insectos desfocados saltitam em silêncio
na superfície da água

de olhos vazios espelhados na água
olho o meu reflexo,
mas não me vejo.

16-8

 


estou só a ver se ainda sei escrever

15-8

31
Dez04

...

sinto, pelo terminar do canto, um fascínio ébrio e matemático. divertem-me a esperança e os projectos esquecidos dois dias depois. divertem-me muito as cidades. assim vestidas, de céu e panos brancos. sabes, a recompensa das cidades é o asfalto azul que as percorre na lentidão do último dia, isso diverte-me, mas escuta: que a vastidão do novo pássaro lhes sorria sempre, que seja essa e só essa a sua recompensa, a minha será ver a morte de alguns bichos enquanto aprendo a idade dos anjos nos teus lábios.

20
Dez04

...

vida toupeira, desperdício genético,
na cegueira colectiva faço apenas o que me obrigam.

tão pouco é o ar que respiramos.

catacumbas, espirais, túneis em chamas
que não chegam nem levam a parte alguma do céu

tão pouco é o ar que respiramos.

estou no lado errado da lua.
numa sala, fechada pela orgulhosa ignorância
de um gorila que navega à deriva,
protegendo-se das tempestades de merda,
que ele próprio inventa,
com a máscara do conforto.

tão pouco é o ar que respiramos.

pouco interessa.

tão pouco é o ar que respiramos.

nada que me interesse.

estou rodeado de orgulhosos poços de saber,
profundos abismos oceânicos povoados de conhecimento,
formas de vida desprovidas de vazio,
tudo as preenche na totalidade e,
imagine-se,
basta-lhes uma moeda
para responderem a todas as necessidades.

até eu, cápsula de cianeto, posso mergulhar
e afogar-me nesse mar de erudição,
sem perigar
qualquer outra espécie
viva ou já morta.

no último sopro da toupeira
faço apenas o que me obrigam.

escasso é o ar nestes túneis.

17
Dez04

...

tenho a imaginação rodeada pelos teus lábios quase fechados
e a respiração (des)controlada pelo vento

na memória das tuas mãos

as serpentinas da saudade agitam-se negras no ar
como se os braços enormes do silêncio
espalhassem sombras no abandono da pele
e o ondular nocturno dos meus olhos
destapasse o ninho de escaravelhos verdes
que se esconde por dentro das flores

preciso muito de saborear a humidade do sangue
ou de adormecer entre o conforto das tuas asas
e o eco de uma palavra que dissolva a chama

15
Dez04

11. apontamentos para memória futura

não percebo porque se escrevem tantos poemas ao silêncio.
serão silêncio os murmúrios e gritos das palavras quando crescem?

15
Dez04

...

a queda milimétrica
de uma teia de impulsos
sobre o sono
ou
a mais inútil tentativa
de adormecer
com as aranhas do silêncio
no corpo

06
Dez04

...

pergunto-me
num suspiro de chamas
se é a mulher que me cresce nos ossos
ou a língua de sal as sombras
e as estátuas de vidro
esta teia de ventos
entre o sangue e a imobilidade do corpo.

lfdsa


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