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vinho tinto

vinho tinto

09
Abr16

avc-r

Eu queria fugir a isto, mas é inevitável. Cheguei a Paços durante a tarde e, de imediato, fui dormir porque “já era tarde” e num instante, ainda antes de me deitar, se fez noite. Devo ter sonhado, claro.

No dia seguinte jantei com toda a família e anunciei que precisava de estar no Porto na segunda-feira por volta das onze. De imediato, um primo disponibilizou-se para me levar e disse que me vinha buscar cerca das 8 h 30 min. 

sonhos

 

09
Abr16

avc-r

Vou voltar um pouco atrás. Contar o que tem sido a minha vida sem a Margarida. É possível resumi-la em uma só palavra: complicada. Para além dos, óbvios, tormentos sentimentais que foram provocados pela sua morte, também o lado prático da minha vida foi tremendamente afetado – e isto não é ser egoísta: é simples constatação. Por exemplo: era ela que tratava de agendar e coordenar as minhas terapias. A maioria das pessoas não se lembra de coisas que para elas são muito simples, mas que para mim são muito complicadas. Comer, por exemplo. Imaginem que só mexem uma mão – e mal – como fariam para comer? Claro que nisto posso sempre contar com a minha mãe, mas é só um exemplo.

 

mãe

 

08
Abr16

avc-r

A Dalila empurrou a cadeira até uma porta fechada. Parou, abriu a porta e acendeu as luzes. Deparei-me com um quarto como que arrumado e embelezado de propósito para ser fotografado para uma qualquer revista especializada. Modernidade a imperar, mas

 

cadeira de rodas

 

08
Abr16

avc-r

Apesar de já não ir ao Porto há muitos anos tudo me parecia familiar - em especial as cores e os cheiros, mas também os raros raios de Sol que escapavam ao topo dos prédios e aqueciam o alcatrão. Não estranhei. Lembro coisas bem mais improváveis. Por exemplo

porto

 

07
Abr16

avc-r

A Isabel acabara de pôr em evidência uma das suas características que mais admiro: a ponderação. Confesso que sou totalmente doente pela mulher ponderada. A ponderação obriga a pensar o que, normalmente, é sinal de inteligência: pela qual, admito, sou obstinado. Não gosto de mulheres burras, embora não saiba muito bem o que é isso de ser burra. Pressente-se. Sente-se.

 

ponderação

 

06
Abr16

avc-r

“Pois, mas não tens direito a escolher caminhos onde atropelar os outros seja quase uma obrigação.” - Dir-me-ão. Talvez tenham razão. Tenho que pensar. Embora possa já afirmar que, na melhor hipótese, viajar é sofrer muito por um futuro que pode nem existir. Se não magoarmos ninguém, não há caminhos errados o que há são caminhos que ninguém quer fazer e eu não quero fazer viagens. Gosto dos destinos, mas não gosto dos caminhos. Isto pode bem ser um problema.

1.1.jpg

 

05
Abr16

avc-r

Não sei porquê, mas a resposta deu-me a sensação que a doutora Mariana era boa pessoa. Não havia lá nada de especial, nada que me dissesse da personalidade da doutora.

 

Boa pessoa

 

04
Abr16

avc-r

Há, pelo menos, uma coisa em que a Margarida é insubstituível: no que, ainda, sinto. Não acredito que algum dia surja alguém que a substitua nisso. Suspeito que nisso nem que eu viva um milhão de anos vou encontrar alguém que a substitua.

Outra coisa que duvido é que venha a conhecer alguém capaz da entrega que a Margarida me dedicava. Uma coisa é essa entrega começar antes do AVC, aumentar com o AVC e prolongar-se para além dele. Outra, completamente diferente, é começar depois do AVC. Se calhar estou a ser pessimista, mas conhecendo o que conheço de mim e das mulheres: as perspetivas não são boas.

04
Abr16

avc-r

Neste percurso, neste já longo percurso, tenho-me cruzado com pessoas fantásticas e deixado para trás outras que eu julgava amigas. Não condeno ninguém e sei que as pessoas têm a sua vida, mas paciência tem limites. Independentemente dos motivos de cada um – que, até prova em contrário, acredito existirem – nada me obriga a aceitá-los. É muito tempo. Nada de novo. Quase toda a gente que atravessa dificuldades se queixa do mesmo, mas deixem que vos diga isso não minimiza o sentimento de abandono. Não estou à espera de mudar muita coisa com este desabafo, até porque, agora que o escrevi, as ações são vãs, mas já que não pensam em mim pensem no que sentem as pessoas que me rodeiam ao verem-me quase sozinho. Tetraplégico e quase sozinho.

abandono

 

03
Abr16

avc-r

Sem entrar em grandes detalhes, a técnica baseia-se no uso de umas proteinas para regenerar as células que são atingidas pelo AVC.

Já lá vai muito tempo de imobilidade; muito tempo de inércia; muito tempo de simples espera. Os milagres existem, mas convém trabalhar para eles. Está na altura de tentar fazer alguma coisa. Fazer como quem diz.

lfdsa


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