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vinho tinto

vinho tinto

21
Mai13

...

escuta:

a caligafia dos corpos

é muito minuciosa

 

anda sempre aperaltada

e repete-se com audácia

nas luzes mais brancas

e no regressar das ruas

 

21
Mai13

...

nasardo
(francês nasard)

s. m.

s. m.

[Música]   [Música]  Registo.Registro de órgão cujo som dá ideia.idéia. de quem fala nasalmente.

 

 

o som nasardo

do vento nos sobreiros

arrepia até a imensidão

 

o tumulto dos corpos

enruga os amantes

em estrelas de várias cores

 

a geografia da pele

junta os gemidos

em suave sinfonia

e os movimentos mareados do amor

em encantamento

e músicas de saudade

21
Mai13

...

SIDÉRICO - Sideral. Que provém dos astros. Relativo ao ferro.

 

 

a sidérica união dos corpos

avança sobre as cores

como água

desgasta os trapos

e caminha sobre brasas

como se fosse um pássaro de vidro

ou uma espiral de lágrimas

 

no progresso colorido

das ondas

o gemido audaz do mar

atravessa as sombras

no silêncio dos corvos

 

a confederação da pele

refresca as dunas

enquanto o sentir

sufoca os gritos de água

na escuridão das grutas

21
Mai13

...

DIRUPÇÃO - Ruína, rompimento. Acto ou efeito de derruir ou de romper.

 

 

sempre que a dirupção do discurso

alivia os lábios

e o beijo é simples

e longo e molhado e finlandês

ou de outro norte qualquer

os corpos dos amantes

envolvem-se

 numa luta sem tréguas

contra o não

e nenhum vence

ou pelo menos

os ruídos e o contorcer

da nudez e dos corpos assim gritam

no silêncio

das árvores

e das areias

21
Mai13

...

SOFISMA - Argumento capcioso com que se pretende enganar ou fazer calar o adversário. [Popular]  Engano; logro.

 

 

toda a poesia

nas mãos hábeis de um artesão

é um imenso sofisma

 

engana os mais incautos

com letras doces

e mortifica-os

à traição

com sombras e silêncio

 

quando bem escrita

até a morte é bonita

pode rodear-se um cadáver de fadas

e ficar bem

 

nos dedos de um mentiroso

as aves voam do avesso

os peixes nadam de costas

e ninguém estranha

21
Mai13

...

VIEIRO - Veio, filão de minério, nas minas. Linha por onde uma pedra abre quando é percutida. [Antigo] Imposto que se pagava à coroa.

 

 

tenho um vieiro de sangue

entre os dedos

e uma mina de medo

nas mãos

 

o mar que me fervilha nas veias

quebra as pedras

que me polvilha o corpo

em vieiros profundos

 

é num vieiro

que o mar me fez no peito

que coloco a dinamite

para explodir o corpo

 

na confusão do sangue

a realidade mistura-se com o sonho

no caos das viagens

e na babel dos corpos

21
Mai13

...

GARATUJA -  Escrito ou desenho malfeito. = GATAFUNHO, RABISCO; Careta, momice.

 

os poemas

e as suas pernas

são apenas garatujas

feitos com palavras

em papel de embrulho

rascunhos de sangue

na carne de peixes

em cujo mar nada

esboços negros

nas mãos suadas

da quietude

borrões de lágrimas

no silêncio nervoso

dos carros

mais leves

21
Mai13

...

GAIMIRA  – grupo de malandros

 

 

uma azeda gaimira

desconhecida até dos dicionários

assaltou a vida

com os dedos em chamas

 

ao pescoço traziam

um colar de pregos

como símbolo

da crueldade dos corpos

 

na voz sobressaía

a imobilidade

e nos olhos

sobressaía a noite

 

sem qualquer piedade

apoderaram-se do som e do mar

como quem se apropria do choro

ou faz seu o sangue dos outros.

21
Mai13

...

LINÁRIA - Linho bravo.

 

na testa do pescador

um bocado de velha linária

separa o suor do sol

e no peito é a flanela que divide

a pele e os pedaços de rio

uma e outra são aos quadrados

mas para assustar a estrela maior

o pano que quase lhe tapa os olhos

é mais claro que a camisa

que lhe cobre as costas

e aquece

as veias e o

sangue.

21
Mai13

...

EXCELER - Distinguir-se pela excelência; ser excelente.

DOXOMANIA - Mania ou obsessão relacionada com o desejo de glória.

ANÁBATA - Cavaleiro que, nos Jogos Olímpicos, disputava o prémio;  Prémio com dois cavalos.

POALHA - Poeira leve na atmosfera.

TEAGEM - Teia.

 

Na sua doxomania

o anábata

levanta  uma teagem

de poalha

tentativa vã de se exceler

todos o conhecem

e sabem o pouco que vale

nas areias secas

da vida

na arena

onde marcha a morte

no salgado anfiteatro

onde caminham as sombras

de antigos e corajosos

guerreiros

fantasmas de homens

21
Mai13

...

um dia vou reter as tuas mãos no corpo de argila dos animais sem sombra. dessa forma lembrar-te será como viajar por cidades azuis e por jardins de espuma. quando a voz da lua desce aos lagos e os feiticeiros sobem as ondas explodem de medo em praias de amor.

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