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vinho tinto

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23
Set06

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O que vos quero contar, poderá parecer algo inverosímil, pelo que, sempre que possível, apresentarei as referências que considere úteis ou necessárias para provar os factos aqui relatados. Alguns dos acontecimentos descritos, são cópias daquilo que consigo ainda recordar dos mesmos e poderá não existir outra referência que não sejam essas mesmas recordações. O texto não está ainda completo e poderá tornar-se demasiado grande para ser publicado num único artigo, pelo que decidi publicá-lo à medida que o for escrevendo.

 

P’klint Klipier mora no nosso planeta, mas numa outra dimensão, na dimensão onde não existe nem o feminino, nem o masculino. Lá, na Décima Dimensão, simplesmente é-se. Não é meu objectivo pormenorizar a biologia dos habitantes dessa dimensão, não é importante na descrição dos acontecimentos, de qualquer forma, por não existir nem o feminino, nem o masculino, os (as) Terreadécanos (Terreadécanas) não se reproduzem como nós, limitam-se a nascer como frutos do amor de dois (duas) Terreadécanos (Terreadécanas). Existem, obviamente, outras diferenças, como por exemplo ao nível da ausência de artigos definidos em Terreadécano (Terreadécana), mas, como deste parágrafo em diante, sempre que necessário e apenas para falicitar a construção deste texto, usarei apenas o masculino para me referir aos (às) habitantes da Décima Dimensão, achei importante chamar a vossa atenção e, apenas para isso, usei o exemplo do amor e do nascimento. Para quem queira saber mais sobre a ausência de masculino e feminino na Décima Dimensão, bem como as suas implicações a vários níveis, poderá consultar a obra conjunta de Richard Pluum, Charles P. Sinclair e D. S. Kosinski, A ausência que nos confunde, editada em Portugal pela Goldberg Edições. Sobre a biologia Decana, talvez o mais completo estudo publicado seja a obra A Bio Décima de D. S. Kosinski, também da Goldberg Edições.

 

Na altura destes acontecimentos, Klipier tinha 45 anos e vivia sozinho num apartamento dos subúrbios da cidade de Xintrel. Capital de toda a Décima Dimensão, Xintrel é uma cidade extremamente evoluída tecnológica, social e economicamente. È nesta cidade que se localiza não só a sede do Governo Central da Décima, como também as sedes de quase todas as grandes empresas da Décima Dimensão. Apesar dos seus 95 milhões de habitantes, Xintrel é uma cidade pacífica, calma e muitíssimo agradável. Na nossa dimensão, Xintrel é uma utopia quase impossível de imaginar e ainda mais difícil de descrever. O que mais se pode aproximar de uma descrição de Xintrel, será usarem a vossa imaginação para tentarem visualizar uma pequena aldeia junto ao mar, onde 95 milhões de habitantes conseguem viver na mesma harmonia com que 30 ou 40 pessoas o fazem na nossa, ainda assim amada, dimensão. De qualquer forma, e mais uma vez, também não é importante para o decorrer desta história, pelo que, outras descrições, mais eloquentes e pormenorizadas de Xintrel, podem ser encontradas, por exemplo, no primeiro volume d’As Décimas Cidades da Lang & Nicholas Academic Publishing Company.

 

Mas, como em todas as sociedades conhecidas, e como em várias outras cidades da Décima, Xintrel tem também alguns problemas, nomeadamente, a solidão em que vive a grande maioria dos seus habitantes. Ironicamente, a solidão é um dos principais problemas dos 95 milhões de habitantes de Xintrel. O sociólogo Terreadécano, Carrier Carigurel, afirma nas conclusões de um estudo realizado durante o (nosso) ano de 1983, que cerca de 85% da população de Xintrel sofre de várias doenças psicológicas e/ou fisiológicas provocadas pela solidão*. Desde os 35 anos, desde a sua primeira e até hoje única, grande e verdadeira desilusão amorosa que Klipier pode ser incluído nestes 85%.

 

 

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Pragas Modernas, Carrier Carigurel. Este estudo (P’ntiol’s Balial no original), apesar de não estar nem traduzido, nem publicado em nenhuma língua da nossa dimensão, pode ser encontrado na biblioteca do Instituto Superior de Estudos Decanos em Nova Iorque. Em meu poder, tenho apenas uma cópia das conclusões do estudo, simpaticamente enviada pelo Professor Richard Pluum.

 

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