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vinho tinto

vinho tinto

31
Jul04

segredos *

chegam-me sempre primeiro as palavras que o sono. na grande maioria das vezes, chegam desordenadas, chegam como se um furacão ancestral as embrulhasse num sudário de aço e as libertasse, a todas, de uma só vez, sobre a falésia húmida e sem fundo da insónia. não servem para nada as palavras assim molhadas. colam-se umas nas outras como aves incompreensivelmente distribuídas pelo vazio do céu, colam-se umas nas outras pela ordem errada, como aves incompreensivelmente vazias de céu.palavras que são como os apeadeiros onde os comboios não param nunca. palavras que são como crianças que namoram sozinhas com a chuva. palavras que são como ventos que assobiam no que resta das ondas. palavras que são como armas carregadas pela pólvora dos sonhos. palavras que são como as flores que crescem no campo de um sorriso. palavras que são como gente que se alimenta no cadáver de um poema. palavras que me são proíbidas. * 16/03/2004

30
Jul04

segredos *

nunca as palavras me pareceram tão inúteis. deveriam ter dedos e unhas e mãos as palavras e a poesia. há uma árvore de trapos envenenados a crescer-me na luz e não há palavras que lhe sequem a sombra. houvesse pelo menos uma mão a sufocar-lhe as raízes e seria mais fácil ouvir esta música que entra pelas janelas. por todas estas janelas que antes se pareciam com poemas, como todos os poemas se pareciam com janelas, mas todas as janelas são vidros foscos e todos os poemas estão já escritos como se portas seladas fossem. todos os poemas estão já escritos e acabados ou não seriam ainda poemas.* 25/04/2004

29
Jul04

o cantarolar do sal que prolonga a insónia

nem sempre o fumo e a luz demasiado velha
conseguem transformar o silêncio em sono
mas com a regularidade ambígua das dunas
o cantarolar do sal que prolonga a insónia
para além dos limites da carne e do sol
faz crescer a água secreta das palavras
até que um ciclone de sangue enfurecido
varra as memórias para onde não podem sê-lo.

24
Jul04

ficções *

é quando morremos gritose o silêncioarde em chamas brandasque o amoraprendea resistir.é na faltado respirarofeganteque enalteceas insatisfaçõesque o amoraprendea resistiré nos caminhosque trilhamosquando o corponos abandona que o amoraprendea resistiré na dúvidaque existenos olhosde quem amaque o amoraprendea resistirénas lágrimasque caieme nos queimama línguaque o amoraprendea resistir

* 19-01-2004

24
Jul04

um vazio incendiado pela ausência

enquanto o nevoeiro descia lentamente sobre o túmulo,
enquanto o corpo disputava os silêncios com a fome,
os olhos lutavam para camuflar os ventos e as vigílias,
sorriam, cheios de um vazio incendiado pela ausência,
sorriam desesperados como que à procura do espaço,
como se recordassem a língua e a serpente,
choravam secretamente a mentira agradável.

23
Jul04

a violência de um pássaro ausente

depois, por vezes, surgiam homens vestidos de sombra
e o beijo da escolha tornava-se demasiado pesado,
a violência de um pássaro ausente fazia-se medo e silêncio,
a roda gigante, no topo do parque, parava e eu não queria lá estar,
mas, no final do verão, as aves seguem sempre o mesmo caminho
e nem o cheiro a carne putrefacta me desviava dos trilhos marcados,
nem essas estradas há muito desenhadas me pareciam as minhas.

era então quase como que fugir amar o delírio dos outros,
fechar-me nesse sedento mundo de mentiras, que alguém inventou,
para que pudesse eu nesses dias de eclipse inventar-me de novo.
como se cada página fosse um nascer imaginário do sol,
fazia meus os sorrisos lá inscritos e, às lágrimas, ignorava-as,
como se afogá-las no sangue ferrugento de velhos fantasmas,
fosse como censurar as noites escritas a vermelho pelas dúvidas.

22
Jul04

Grandes Malucos(as)

Estive a ver as estatísticas: uma média de cinco visitas diárias. Muito obrigado à vossa teimosia :)

22
Jul04

sonhos (1)

Eu sei, tenho andado calado, mas porra, não era preciso sentir-me obrigado a cá voltar por causa deste sonho. A noite passada, sonhei que era um caramelo espanhol, colado nos dentes de um ministro durante a cerimónia de tomada de posse. Porra.

22
Jul04

e o corpo

amo-te
na tua nudez
de animal
mulher
e o corpo
o teu grita
e é a poesia
e a ponte
e é ponte
entre o teu grito
e o meu
e o meu
enfraquece
e arrepia-se
e arrepia-se
o teu
perante
o arrepio
do meu

lfdsa


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