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vinho tinto

vinho tinto

14
Jun04

segredos

Apenas uma nota de agradecimento pelos emails recebidos e aos Pedro's do icosaedro e do microcosmos por terem percebido o desaparecimento do segredos.

12
Jun04

noite

é quando morre o dia
que mais me fere
a inexistência de uma mão
que me embale
o desejo.

lá fora, tela de Miró,
dentro da tempestade,
néons de dez mil cores
pontilham o manto
que me nego a receber.

espectral,
aproxima-se o desassossego
e vergam-se as árvores
à passagem medonha
do seu assobio.

choro-me
e funde-se-me o corpo
no mesmo vidro
onde chuvas
desenham memórias.

para que o receba
o calor que me resta,
abro as janelas,
inundo-
-me

11
Jun04

duas línguas de liberdade

sonho com cerejas despidas
e papoilas vermelhas de silêncio
a entrelaçarem-se no céu
como bandos de morcegos famintos

com árvores de braços longos
a espalharem sombras rápidas
sobre a carne ruidosa
de violetas arrepiadas

corpos de água
pétalas de sol
dedos de vidro
pássaros de linho

duas
línguas
de
liberdade

10
Jun04

Feira do Livro

Mais de duas mil páginas. Vou andar ocupado.

10
Jun04

celebrar-nos

talvez se o tempo fosse apenas um mudo silêncio
eu não pudesse hoje festejar-nos com este poema
mas o nosso embrião foi uma sombra subterrânea
que se libertou pelo grito para ser o sonho teimoso
e a luz barulhenta que não deixa dormir o tempo

talvez se o fogo fosse apenas o de um fósforo curto
eu não estivesse hoje a festejar-nos com este poema
mas a semente deste navio foi um fulgor clandestino
que à hora do ocaso se revelou ser a floresta infinita
onde os incêndios do espírito se tornam incontroláveis

eu sei há ainda dez mil versos de amor por escrever
e temos ainda dez mil estrelas secretas por conquistar
mas hoje somos já como dois rios unidos pela serra
como duas pétalas da mesma margarida selvagem
que muitas vezes se perdem mas sempre se acham
somos já como dois cálices que se bebem mutuamente
como dois violinos da mesma orquestra de sentires
que muitas vezes se calam mas sempre regressam

eu sei há ainda ventos que sopram demasiado fortes
e temos ainda um exército de sombras por derrotar
mas neste primeiro ciclo que o sol sobre nós completa
aproveito o murmúrio veloz da celebração e segredo-te
sou tão totalmente teu como ao mar as ondas pertencem
sou um prolongamento em chamas da tua pele de fogo
relâmpago de pérolas que se desprende longamente da terra
para se espalhar na nudez de veludo onde te amo

09
Jun04

uma lenta respiração na condensação do silêncio

os meus dedos penetravam a terra humedecida pelo desejo,
e eu sabia ser aquela a última vez que, inundado por palavras,
poderia desenhar uma lenta respiração na condensação do silêncio.
tentei, por isso, escrever um verso nos seios do adeus prematuro,
mas as letras, que escorriam desordenadas como o sangue de um pinheiro,
e os joelhos, que eram como um animal que me apertava entre os dentes,
impediram o poema e foi a língua que lhe tatuou na carne a última lágrima.

08
Jun04

os músculos de um mar que já foi gente

de carne morta, como se um fantasma vermelho lhe existisse,
a musicalidade obscena de uma mentira virou-me o corpo do avesso.
o sangue pinta-me a pele de tortura e um espectro de chumbo,
verde e nevoento, grotesco como a nudez da morte numa gaveta,
com a força esfíngica de uma tempestade intemporal,
precipita-se sobre a certeza dos meus ombros,
esmagando-me os ossos como se de água fossem.

olho para cima, vejo apenas os músculos de um mar que já foi gente.
gostava de poder falar-lhe ao ouvido,
de lhe contar as aventuras de um pássaro que aprendeu a voar sozinho,
gostava de o abraçar e sintetizar-lhe na pele a fisionomia de uma recordação,
mas o sangue negro que o envolve escapa-se-me entre os braços e o medo,
o assobio de um ramo vestido de sombras
impede que a chama dos ventos cá dentro lhe segredem: calor.

não gosto de começar um verso com a palavra não, mas
não há como fugir ao som desafinado de um não
se entoado pelo vazio no vazio da memória. serás capaz de o entender?
a fuga das marés para a noite arrasta com ela todos os bichos,
mas o regresso das andorinhas ao alvoroço madrugador,
acorda de novo o tridente que tenho cravado nas pernas,
amarra-me ao pesadelo do silêncio e dos contos por acabar.

lfdsa


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