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vinho tinto

vinho tinto

01
Abr04

abril 2004

A m o r t e d a p o e s i a

 

Uma explosão nuclear na cidade dos sonhos
incendiou até as metáforas mais distantes.
A devastação é enorme, cruel, vermelha
e, de pé, restam apenas algumas sílabas.

Há poemas novos completamente destruídos,
ficções em ruínas a desabar em confidências,
pensamentos submersos em lamas lilases
e frases em sangue rasgadas pelas reticências.

Embora longe deste negro cenário terminal,
o mar chora a morte prematura da poesia
e as suas lágrimas brilhantes são fotões
que tentam desesperados penetrar a treva.

Mas onde houver um rio e um homem vivo,
onde houver mulheres e corpos de cristal,
onde houver desejo e beijos de jasmim,
há também uma fonte de palavras prontas.

Sempre que morre um poeta, nasce uma flor
e das suas pétalas nascem as cores e o orvalho,
e à sua volta nascem as mãos e os sorrisos,
e da alva simbiose, nascerá de novo a poesia.

14-4
 
 
nunca as palavras me pareceram tão inúteis. deveriam ter dedos e unhas e mãos as palavras e a poesia. há uma árvore de trapos envenenados a crescer-me na luz e não há palavras que lhe sequem a sombra. houvesse pelo menos uma mão a sufocar-lhe as raízes e seria mais fácil ouvir esta música que entra pelas janelas. por todas estas janelas que antes se pareciam com poemas, como todos os poemas se pareciam com janelas, mas todas as janelas são vidros foscos e todos os poemas estão já escritos como se portas seladas fossem. todos os poemas estão já escritos e acabados ou não seriam ainda poemas.


 

25-4

 

 

- mas se aí estás, porque te finges ausente?
- porque estar aqui alguém, não significa eu estar presente.
- mas estás.
- não, está apenas a parte de mim que não existe.
- mas tu existes e estás aí.
- eu existo, mas não aqui.
- então, nunca aí estás?
- eu, aqui, não.

 

28-4

lfdsa


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